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Reforma tributária e o novo mapa de custos das empresas brasileiras 

Depois de conviver com um sistema tributário fragmentado, complexo e pouco transparente, o Brasil inicia uma transição que promete simplificação, mas cobra preparo. A reforma tributária não altera apenas quais impostos serão pagos, ela muda a forma como as empresas organizam seus contratos, projetam crescimento e tomam decisões sobre estrutura física, expansão e eficiência operacional. 

Na prática, o imposto deixa de ser apenas uma linha contábil. Ele passa a ser um fator determinante na estratégia de negócio. Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo de IVA dual, composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal), o país entra em uma nova lógica de tributação sobre o consumo. O discurso oficial é de simplificação. A realidade, porém, mostra que o período de transição será tecnicamente exigente, especialmente para empresas que operam com estruturas complexas e grandes volumes de contratos. 

O maior erro é tratar a reforma como um evento pontual. Ela é um processo. E processos mal geridos custam caro. Durante muitos anos, empresas construíram contratos e planejamentos financeiros com base em um sistema tributário conhecido, ainda que ineficiente. Agora, essas mesmas estruturas passam a operar em um ambiente completamente novo, no qual o crédito tributário, a incidência dos impostos e a formação do custo total mudam de lógica. 

O risco não está apenas na alíquota. Está no modelo mental. Empresas que não revisarem seus contratos, suas cláusulas financeiras e seus modelos de precificação podem carregar custos invisíveis por anos, simplesmente por não terem ajustado seus acordos à nova realidade tributária. 

Esse impacto é ainda mais sensível quando se olha para os contratos imobiliários corporativos. Empresas com redes de lojas, escritórios, centros de distribuição e operações espalhadas pelo país possuem dezenas ou centenas de contratos de locação ativos. Cada um deles carrega cláusulas que foram desenhadas sob um sistema tributário que deixa de existir. Isso muda o cálculo de custo por metro quadrado, altera a lógica de repasse de encargos e impacta diretamente a eficiência financeira da ocupação imobiliária. 

A reforma, nesse contexto, transforma a gestão imobiliária em uma frente estratégica do negócio. Não se trata mais apenas de administrar imóveis. Trata-se de entender como cada contrato influencia o resultado financeiro da empresa em um novo sistema tributário. Revisar cláusulas, renegociar condições e reorganizar o portfólio imobiliário passa a ser uma decisão de inteligência financeira, não apenas de operação. 

A ausência desse olhar técnico cria distorções perigosas. Contratos que pareciam equilibrados tornam-se caros. Estruturas que eram sustentáveis passam a pressionar a margem. O que antes era um detalhe jurídico vira um problema econômico. 

Por isso, a reforma tributária tem provocado uma mudança silenciosa dentro das empresas mais estruturadas. O tema deixou de ser exclusivo do departamento fiscal e passou a envolver áreas como finanças, jurídico, expansão, operações e real estate. A integração entre essas frentes se torna obrigatória. 

Planejar agora significa cruzar dados contratuais, financeiros e tributários. Significa entender o impacto real de cada decisão no custo total da operação. É nesse cenário que a gestão técnica de contratos ganha protagonismo. Empresas mais maduras estão tratando a reforma como um projeto de transformação interna. Estão mapeando contratos, simulando cenários financeiros, revisando cláusulas e usando dados para embasar renegociações. Não é uma reação. É uma estratégia. 

Na visão da Partner, a reforma tributária escancara algo que sempre esteve presente no ambiente corporativo, contratos mal estruturados custam caro. Em um novo sistema tributário, esse custo deixa de ser invisível. Ele aparece diretamente no resultado. 

A reforma, portanto, cria uma divisão clara no mercado. De um lado, empresas que apenas se adaptam. Do outro, empresas que usam o novo cenário como alavanca de eficiência. No primeiro grupo, o imposto é visto como problema. No segundo, como oportunidade de reorganização e ganho estrutural.  

Ao final, a reforma tributária não é apenas uma mudança na legislação. Ela é uma mudança de mentalidade empresarial. Obriga as organizações a abandonarem decisões intuitivas e passarem a operar com método, dados e visão de longo prazo. Quem entender isso primeiro não apenas reduzirá riscos, mas construirá uma operação mais eficiente, mais previsível e mais preparada para crescer em um ambiente econômico cada vez mais exigente. 

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